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A produção historiográfica sobre o escravismo e as formas de resistência de mulheres, crianças e homens escravizados no Brasil é bastante expressiva e tem sido desenvolvido, nas últimas quatro décadas, em diversas universidades brasileiras e no exterior. Cada vez mais, há uma ampliação de temáticas e novas abordagens metodológicas para interpretar o mundo da população da Diáspora Africana nas Américas. A obra 'Òmìnira' se inscreve nesse campo, no qual a historiadora Valéria Costa reconstruiu trajetórias de pessoas escravizadas no Oitocentos, sobretudo, as de 'pretos minas', que conquistaram a liberdade e tiveram que se reinventar para viver/sobreviver em sociedade escravista, tendo como palco o Recife/PE.Milhares de escravizados precisaram refazer antigos laços familiares e de parentesco;construíram novas relações de amizade, afetos, redes de sociabilidades;emaranharam-se em conflitos e tensões na luta por seus espaços (sociais, políticos, culturais, entre outros) no campo, nas cidades e em seus arrabaldes. Reconstituir, a partir das trajetórias de vida, essas experiências dos libertos que conseguiram algum prestígio no Recife é o objetivo principal da obra de Valéria Costa. A autora se interessa, em particular, pelas perspectivas e expectativas dos africanos da África Ocidental, ou seja, os chamados 'pretos minas'. Os fragmentos de suas experiências individuais e coletivas revelaram a formação de grupos afluentes dentro de comunidades negras (africanos e crioulos) no Recife. Portanto, é a história social desses grupos que é analisada ao longo dos capítulos que compõem este estudo. A obra busca entender as estratégias que diversos homens e mulheres elaboraram para sobreviver aos estigmas impostos pela sociedade escravista.Por fim, Valéria Costa faz emergir vidas, sonhos, pesadelos, mortes, alegrias e sofrimentos da população africana de um Pernambuco urbano oitocentista. Conhecendo tais horizontes analíticos os leitores vão poder ver, ouvir e sentir ondas atlânticas arrebentando em Recifes solidamente negros.