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CONFÚCIO: GUERRA E PAZ.
AIres de guerra sopram com força sobre as planícies e montanhas do vasto território chinês, dividido em múltiplos pequenos Estados que lutam entre si para alcançar a vitória e conquistar a hegemonia sobre o país. Ninguém é capaz de conter os impulsos belicosos dos seus governantes, sedentos de riquezas e da expansão das fronteiras dos seus respectivos domínios. Sobra ambição e falta virtude, a única qualidade capaz de travar o ímpeto guerreiro destes homens desprovidos de escrúpulos.
A guerra em breve tomará conta de todo aquele imenso território que, outrora, na era da dinastia Chou, era considerado culto e pacífico. Mas isso é agora coisa do passado; o rei não passa de uma figura decorativa, sem forças nem exércitos para abafar actos de violência ou rebeliões. Estamos nos dias finais do período que Confúcio denominou "Primavera e Outono". É nele que vive este sábio - íntegro como ser humano, virtuoso como filósofo e pensador -, que anseia ardentemente pelo regresso a épocas passadas, quando a cultura florescia num ambiente de paz e harmonia.
O sábio mestre faz o que pode para promover o regresso a esses velhos e saudosos tempos, mas a tarefa é humanamente impossível: não detém qualquer poder, contando apenas com as suas ideias progressistas e um grupo fiel de discípulos que o acompanharão no exílio, marcado por angústias e privações. Pouco depois da morte do sábio, o que era a China daquela época viu-se mergulhada num período de violência, caos e turbulência, no qual os Estados se envolveram em guerras cruentas e sangrentas, até que surgiu um único vencedor: o Estado mais belicoso de todos, Qin. Sob o comando de um rei cruel e combativo, Qin Shi Huang, o país foi governado com mão de ferro durante o resto da vida do monarca; ordenou, inclusive, a queima dos livros dos maiores pensadores da China, entre eles Confúcio. Este, contudo, já não pertencia ao reino dos vivos e, portanto, não presenciou os excessos ocorridos durante o período conhecido como o dos "Reinos Combatentes".
Mas a história é como uma roda que gira incessantemente - ora as coisas estão no topo, ora na base - e o breve, mas sangrento, reinado de Qin acabou consumido pelas chamas das revoltas populares. Deu lugar, então, a uma nova era, na qual as ideias confucionistas foram adotadas como doutrina de Estado. E, ainda que isso não tenha eliminado por completo a violência, os ideais de paz e igualdade entre os homens permaneceram, consolidando-se para sempre como um ideal de Estado.
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